Sistema prisional do Espírito Santo realiza simulação de fuga com uso de drones e câmeras termais
Uma simulação de fuga em presídio com buscas noturnas
realizadas por drones, operações em área de mata e perseguição pela água vai
mobilizar forças de segurança nesta sexta-feira (29), na Casa de Custódia de
Vila Velha (Cascuvv). A ação vai colocar à prova o uso de tecnologias aéreas em
situações críticas e treinar operadores de segurança para ocorrências reais de
recaptura de fugitivos.
Os exercícios fazem parte do Workshop de Operações com Drones, promovido pela Secretaria da Justiça (Sejus), Polícia Penal do Espírito Santo (PPES) e Guarda Municipal de Vila Velha (GMVV), voltado a profissionais da segurança pública e operadores de aeronaves remotamente pilotadas.
São 120 alunos, integrantes da Polícia Penal, GMVV, Polícia Militar do Espírito
Santo (PMES), Corpo de Bombeiros Militar (CBMES), Polícia Civil, Polícia
Rodoviária Federal (PRF), Polícia Científica (PCIES) e Polícia Penal Federal,
incluindo profissionais de outros estados.
O treinamento é conduzido pelo analista tributário da Receita Federal do Brasil, Bruno Carcará de Oliveira, responsável por atuações estratégicas na Tríplice Fronteira, região que compreende Brasil, Paraguai e Argentina.
O palestrante vai compartilhar experiências reais de operações de ISR (Intelligence,
Surveillance and Reconnaissance), técnicas de aquisição de alvos,
integração entre drones e equipes em solo, além de lições aprendidas em
cenários complexos de combate ao crime organizado.
Ele explica o principal objetivo do aprendizado. “O drone não deve ser visto
apenas como uma câmera voadora, mas como uma ferramenta de inteligência. Nas
operações da Tríplice Fronteira aprendemos que vigilância persistente, análise
de comportamento, monitoramento de áreas críticas e integração entre equipes
aéreas e terrestres aumentam muito a capacidade de prevenção e resposta. Esses
mesmos conceitos podem ser aplicados ao sistema prisional e à segurança pública
para detectar ameaças precocemente, monitorar áreas vulneráveis e apoiar ações
operacionais com mais segurança e eficiência”, destacou Bruno Carcará de
Oliveira.
Tecnologia auxilia trabalho operacional e de inteligência prisional
No Espírito Santo, a Sejus tem investido nessa tecnologia
para auxiliar as ações de segurança nas unidades prisionais do Estado. Ao todo,
51 equipamentos foram adquiridos e 81 policiais penais foram capacitados para
operar drones. A expectativa é que até o final deste ano mais 80 policiais
penais recebam a formação.
Entre os drones adquiridos pela Sejus, estão os equipamentos, modelo Matrice
30T, que contam com câmera térmica capaz de visualizar e medir a radiação
infravermelha, emitida por corpos ou objetos, convertendo-a em imagens com
cores que indicam diferentes temperaturas, recurso que auxilia o operador de
segurança também nas missões noturnas.
Esses equipamentos serão utilizados no exercício simulado que será realizado na
Casa de Custódia de Vila Velha (Cascuvv), na Glória. Os drones são usados no
sistema prisional para o monitoramento das saídas e entradas dos custodiados
nas unidades prisionais, o acompanhamento aéreo dos locais de banho de sol e
ações de inteligência.
De acordo com o subsecretário de Estado da Administração do Sistema Penitenciário, Eduardo Faria, os drones são ferramentas fundamentais para o monitoramento preventivo e operacional nas unidades prisionais do Estado.
“Além do caráter preventivo, os drones ampliam a capacidade
operacional dos policiais penais. São equipamentos que conseguem alcançar
locais onde, muitas vezes, a atuação humana encontra limitações, especialmente
em áreas extensas de mata, regiões alagadas ou operações noturnas. Com o apoio
das imagens aéreas e das câmeras termais, as equipes conseguem ter uma leitura
mais rápida e precisa do cenário, o que torna a tomada de decisão muito mais
eficiente e segura. Isso significa melhor emprego do efetivo, mais agilidade
nas respostas operacionais e redução de riscos para os nossos policiais
penais”, ressalta Eduardo Faria.
Exercício simulado
O exercício simulado será realizado durante a noite em três
cenários operacionais diferentes. O objetivo do treinamento é preparar as
equipes para situações complexas, especialmente em ambientes com baixa
visibilidade, utilizando drones como um importante recurso de intervenção. A
previsão é realizar a simulação das 19h às 21h desta sexta-feira (29). A ação
também terá o apoio do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
A atividade terá como foco identificar a altura ideal de voo dos equipamentos,
o tipo de drone mais adequado e o desempenho das câmeras termais para
localização dos suspeitos em ambiente de baixa luminosidade.
No primeiro exercício, policiais penais da Divisão de Operações Táticas (DOT)
entrarão em uma área de mata utilizando roupas semelhantes às de internos, a
fim de simular uma fuga de presos. A proposta será testar a capacidade dos
equipamentos para localização dos “foragidos”, avaliar quais câmeras são mais
eficientes para esse tipo de intervenção em ambiente noturno.
Durante a ação, os drones vão
monitorar a região para identificar a origem e a movimentação relacionada aos
disparos, permitindo avaliar a eficiência do equipamento em situações de confronto
e rastreamento.
O terceiro treinamento vai simular uma fuga pela água. Policiais penais da DOT
e da Divisão de Escolta e Recaptura Policial (DERP) serão os atores que irão
atravessar um trecho aquático no escuro, simulando a evasão de presos. O exercício
terá o apoio da Capitania dos Portos do Espírito Santo.
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